Águas profundas 

15/02/2024
Um peregrino andava à margem das águas escuras amazonenses.  Cria ser um milagre ver tanta abundância , mesmo aos feitos humanos. Sentia viver o belo esquecido, onde habita a luz do ânimo,  e o prazer da contemplação que cura.

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Sem perceber distanciava de seu lar,  como se embargado pela nova experiência.  Magnifico sentir-se vivo, antes esquecido de si mesmo.

 Descortinava com os olhos e todo sentido a vida abundante entorno do rio. Na impossibilidade de ver além da superfície,  imaginava o que escondia em suas profundezas.

Meditava a cada passo, sendo atraído para sentir em sua pele, as águas desconhecidas. Saiu finalmente das margens e viveu o improvável. 

 Cada mergulho ouvia o som dos borbulhos e um tipo de linguagem da mãe natureza.  Sentia-se estranhamento seguro em seu fluxo, mesmo sob correntes fortes que anunciavam o perigo. Não queria ser inconsequente,  somente sentir esse amor tão gratuito!

 Aquecido de tanto encanto emergiu e voltou às margens do grande rio! Soube entender que mesmo nas águas escuras há luz, sendo a leitura feita não com os olhos, mas com outros sentidos extrafisicos. A leitura foi possível, mas individual.

 Existe um tipo de guia,  feito de ondas, capaz de acordar quem antes dormia em seu leito solitário.  Assim foi o recado à experiência.  Não mais temeria mergulhar em suas águas profundas.  Ali está o inconsciente que acorda ao convite do desejo, não mais perdido na escuridão
 
Voltou ao seu lar, percorrendo  as margens do grande rio, sabendo ser possível compreender o que esconde.

 (um trecho de texto extraido do livro em processamento para publicação "Eu e meus eus,  direitos autorais Adriana Helena Moreira, 15 fev, 2024)